Artigo de opinião de João Plantier
2025 vai estar marcado pela entrada em força de academias estrangeiras no mercado português, destacando-se a Gustavo Pratto Academy que se junta à HAC (de Horacio Clementi) e à MM Academy (de Manu Martin), já presentes no mercado desde 2024. Serão estas entradas uma ameaça ou uma oportunidade para os treinadores portugueses? Que impacto terão no desenvolvimento do padel nacional, em particular na melhoria do nível dos jogadores? Serão as suas metodologias adequadas e adaptáveis aos jogadores, nos seus vários níveis? E que reflexos terá para os treinadores portugueses e para a sua evolução como profissionais? É sobre estas questões que me pretendo debruçar neste artigo de opinião.
Comecemos então pelo potencial impacto no desenvolvimento de jogadores e também na própria indústria do padel, incluindo os treinadores. As academias estrangeiras, lideradas por treinadores de alta competição, alguns deles ex-jogadores de topo, pretendem implementar as suas metodologias nos clubes portugueses, através sobretudo da formação dos corpos de treinadores residentes.
Imagino que pontualmente esses treinadores (Pratto, Clementi e Manu Martin) visitem o nosso país em clínicas, workshops ou cursos de curta duração. Em todo o caso, não deverão ter uma presença constante nos clubes.
Querendo ter uma perspectiva otimista, porque não estou contra a entrada no nosso mercado, poderá ser positivo para todos (alunos/atletas e treinadores) ver novas formas de abordar o treino, nomeadamente conteúdos, formatos e ferramentas pedagógicas. A dúvida estará em saber se esses conteúdos, formatos e ferramentas pedagógicas se adequarão as várias realidades dos clubes, da iniciação e da pré-competição social à alta competição, sem seguir uma receita tipo “chapa 5”.
Estou igualmente curioso em saber que papel terão os treinadores residentes, sobretudo portugueses, que também eles já acumulam anos de experiência. Conseguirão assimilar essas “novas” formas de trabalhar? Terão espaço para criatividade e para trabalhar com autonomia? Temos de esperar para ver.
Estas entradas oferecem também a oportunidade para ver de que forma estas academias se distinguem entre si e das várias academias portuguesas que existem por todo o país. Como head coach da Academia de Padel, já tive a oportunidade de experimentar a dificuldade que há em colocar em prática uma mesma metodologia em vários clubes, tendo em conta que os contextos (leia-se alunos, níveis, estratos sociais, objetivos competitivos, etc) podem ser diferentes e nem sempre agregáveis numa mesma metodologia.
Acresce a dificuldade em alinhar os vários treinadores em termos pedagógicos e metodológicos, sobretudo porque os treinadores, também eles são diferentes e raramente aceitam uma matriz metodológica demasiado “castradora”. Sabendo isto, vejo a tarefa de implementação da Gustavo Pratto Academy no novíssimo conglomerado AZ/RacketsPro/Top Padel como herculeana, tendo em conta que se fala em mais de 25 clubes, de norte a sul, e grande homogeneidade de perfis de alunos e treinadores.
A associação da HAC no Club 7 ou a MM Academy no PadelBreak já me parecem ligeiramente mais “fáceis” de implementar, na medida em que têm apenas um clube, uma estrutura e um corpo de treinadores com que lidar.
A indústria do padel tem vindo a crescer nos últimos anos e a entrada de “players” estrangeiros, de jogadores a treinadores e a donos de clubes é não é um fenómeno recente. Há muitos anos que existem treinadores de várias nacionalidades, totalmente integrados no país e com provas dadas da sua competência. Sempre entendi a sua entrada como a de alguém que vê oportunidades de fazer melhor e de forma mais eficiente.
Isso não significa que os diversos treinadores portugueses, muitos com mais de 10 anos de experiência não tenham o mesmo nível de competência. Estou absolutamente convencido que sim. Esta será, portanto, uma excelente oportunidade para uns e outros provarem o seu valor. Por isso, resta-me dar as boas-vindas às Academias estrangeiras e desejar-lhes sorte nos seus projetos.
Eu, como vários outros treinadores, vamos à luta!
