December 5, 2025

Tem um currículo ímpar que, no padel português, será difícil outro jogador repetir em masculinos nos próximos tempos. Dez anos consecutivos como o número 1 nacional, Diogo Rocha sofreu em Junho uma grave lesão – rotura total do tendão de Aquiles – nos quartos-de-final da Campeonato Nacional de Absolutos, quando defendia o seu título e, cinco meses depois, confessa que ainda não sabe se voltará a jogar nos circuitos nacionais. Porém, em entrevista ao Padel 365, deixa uma certeza: “Jogar por jogar, não quero. Teria de ser competitivo e sentir que consigo competir com os melhores”. Na primeira parte da conversa, Diogo Rocha fala ainda sobre o seu projecto no Padel Athletic Club (PAC), onde tem a seu cargo a responsabilidade de coordenar a academia do clube portuense: “As aulas têm de ser boas, com dinâmicas e metodologias diferentes. Não é por termos provavelmente o melhor clube de Portugal, que vamos adormecer.”

Cinco meses depois de sobre a lesão, como está a decorrer a recuperação?
Já passei a fase pior, com o gesso, ter de andar com a bota e não conseguir calçar sapatilhas. Agora estou numa fase um bocado chata, onde não sinto uma evolução tão rápida como gostaria. Há uns dias melhores do que os outros, mas há dias em que volta a dor e fica um pouco mais inchado. Mas, devagar, acho que estou a recuperar bem

Já consegue prever quando estará apto para voltar a jogar?
Nunca falei muito de timings com o médico, até porque nunca quis saber. Sempre disse ao médico que queria fazer a minha vida normal e o resto seria com tempo. Há quem recupere em seis meses, mas a minha rutura foi das feias. Foi grave. O médico disse-me que dificilmente iram ser esses seis meses. Agora vejo que sim. Vou em cinco e ainda estou longíssimo de voltar a correr, por exemplo. Acredito que será entre os dez meses a um ano.

Admite voltar à competição nos circuitos profissionais?
Admito que sim, mas é difícil responder agora. Já me passaram tantas coisas pela cabeça. Já disse que não, mas há momentos em que me custa que seja uma lesão a decidir quando me vou retirar. Isso chateia-me. Jogar por jogar, não quero. Teria de ser competitivo e sentir que consigo competir com os melhores. Não sei se vou ter essa força. Já tinha sido operado em 2018 à anca e foi um processo lento, de cinco a seis meses de recuperação. Lembro-me do esforço que fiz para recuperar e voltar a ser um dos melhores. Foi preciso muito esforço e dedicação. Nesta fase, já com 39 anos e com o projecto do PAC que me ocupa, felizmente, muito tempo, também não se ainda tenho essa vontade, essa fome. Ainda não sei… Quando me perguntam, digo que vamos indo e vamos vendo. Tenho de ver como me vou sentir daqui a uns tempos. Se tiver vontade, pode ser que meta uma mudança acima para tentar. Quero recuperar bem. Mas jogar por jogar, não. O meu feitio não permite que assim seja.

Assumiu a coordenação da academia do Padel Athletic Club pouco antes da lesão. Como está a correr o projeto?
Está a correr muito bem. Temos muitos alunos, a academia continua a crescer e há cada vez mais miúdos. Temos também um grupo de competição muito interessante, com alguns dos melhores jogadores nacionais, como o João Caiano, o Pedro Perry, o António Luque, o Kiko Ramos, o André Maia, que estão a treinar connosco… É motivante esse nível de competição, mas também ver, cada vez mais, miúdos a dedicarem-se ao padel. Começamos com cinco professores, hoje já somos nove. Esse crescimento e a tentativa de dar sempre uma resposta positiva a quem nos procura tem sido trabalhoso, mas muito interessante.

Que planos e projetos têm no PAC?
As nossas instalações são ótimas, mas se não dermos boas aulas e as pessoas não se sentirem bem tratadas, se calhar preferem ir para um centro menos acolhedor. Não interessa o espaço, se não forem dadas boas aulas. É isso que procuro passar sempre para os treinadores: as aulas têm de ser boas, com dinâmicas e metodologias diferentes. Não é por termos provavelmente o melhor clube de Portugal, que vamos adormecer. Sempre disse ao chefe Diogo Dalot que gostava de ter uma academia com miúdos e um dia ter jogadores profissionais formados no PAC…

A formação é uma prioridade…
Sim. Termos um centro de competição como temos hoje, com os melhores jogadores nacionais, e depois um centro de formação com miúdos que no futuro queriam ser jogadores profissionais de padel formados pelo PAC. O Diogo Dalot disse-me, e penso que não ficará chateado por contar, que tem o sonho de ver no futuro um dos melhores jogadores do mundo com o carimbo do PAC.