Um dos impulsionadores e pioneiros do padel em Portugal, sendo reconhecido como um dos mais categorizados treinadores e formadores da modalidade, João Plantier encontra-se durante o mês de Agosto no México a dar treinos intensivos a grupos em cidades como Vera Cruz, Guadalajara, Xalapa, Leon, Puerto Escondido e Cidade do México. Antes de, pela terceira vez, viajar para o país da América do Norte a convite de Raul Mendez, o fundador do Clube de Padel conversou com o Padel 365, onde analisou o crescimento da modalidade, que hoje “assume-se com um desporto e uma indústria pujante” e falou da evolução do treino – “Cada vez mais há treinadores que se preocupam em ter uma metodologia”, mas alertou também que “é necessário que os treinadores portugueses assumam que têm capacidade, experiência, e know-how para trabalhar de igual para igual com os seus colegas estrangeiros”.
Fazendo uma análise sobre a evolução da modalidade a nível internacional, João Plantier referiu que “o padel em Portugal, na Europa e no mundo tem evoluído de forma significativa nos últimos anos”, citando o o recente Global Padel Report da tecnológica Playtomic, que aponta “a profissionalização na organização dos circuitos competitivos, das ligas, dos próprios jogadores, treinadores, gestores de clubes, marcas, construtores de campos e demais agentes do padel” como “principais factores de crescimento”. “Mais do que uma moda passageira, o padel assume-se com um desporto e uma indústria pujante que conquista atletas e não atletas de todas as idades e géneros”, acrescenta.
Procurando centrar-se na importância do treino e do treinador de padel em Portugal, Plantier recorda que quando começou “a jogar padel, por volta de 2007, a profissão de treinador não estava solidificada”. “Havia treinadores, portugueses e estrangeiros, mas não o faziam de forma exclusiva, nem, na sua maioria, de modo sistemático ou seguindo uma metodologia. Também não era habitual os jogadores terem treinos, nem sequer os melhores.”
Porém, “nos últimos anos isso mudou radicalmente. Para melhor, diga-se”. “Há poucos dias comentei com um amigo, que a quase totalidade dos jogadores que disputam o circuito competitivo, independentemente do nível de jogo, treina de forma regular. Os de nível mais alto (3, 2 e 1) complementam o treino de padel com preparação física e parte deles, com acompanhamento com psicólogo e nutricionista. Esta mudança teve um impacto no desempenho dos jogadores, em primeiro lugar, mas também na dedicação e profissionalismo dos treinadores”, detalha.
Como resultado desta evolução, Plantier constata que “actualmente há muitos treinadores que se dedicam a tempo inteiro ao treino, havendo uma percentagem que o faz a tempo parcial”: “Seja por via da formação de treinadores, pela competição entre academias, ou pela exigência dos clientes e atletas, cada vez mais há treinadores que se preocupam em ter uma metodologia”.
Em consequência disso, existe hoje uma “especialização” dos treinadores, sendo “todos eles fundamentais para o crescimento da modalidade, seja na vertente social/ócio, seja na área mais competitiva”. “Todos eles são importantes e dão resposta a necessidades e idiossincrasias próprias do padel, simultaneamente uma atividade de lazer e uma modalidade desportiva.”
Fazendo um balanço, João Plantier alerta que “mais de 20 anos volvidos do aparecimento da modalidade em Portugal, é necessário que também os treinadores portugueses assumam que têm capacidade, experiência, e know-how para trabalhar de igual para igual com os seus colegas estrangeiros”.
“Conheço muitos treinadores de Norte a Sul, incluindo nas regiões autónomas, que têm feito muito pelos seus alunos e/ou atletas e é tempo de lhes dar o devido reconhecimento público e dizer-lhes que também eles têm valor para se internacionalizar, à semelhança do que têm feito alguns jogadores profissionais. Há vários outros treinadores que já trabalham noutros países emergentes e penso que no futuro haverá muitas mais oportunidades nesse sentido”, conclui João Plantier.
