Foi durante 14 anos o número 1 do Mundo e, ao lado de Fernando Belasteguín, formou a dupla mais titulada da história do padel, conseguindo estabelecer marcas que dificilmente serão superadas no futuro: um ano e nove meses imbatíveis; vitória em 23 torneios consecutivos. Aos 48 anos, Juan Martín Díaz disputou em 2023 a sua última temporada como jogador profissional e, na noite desta sexta-feira, foi homenageado durante a sua participação na Hexagon Cup, prova onde neste sábado vai disputar as meias-finais.
Com um virtuosismo invulgar, JMD deu uma entrevista ao jornal Marca, onde falou da sua faceta competitiva – “Sou insatisfeito por natureza e mesmo ganhando tudo sentia-me um pouco vazio” -, revelou que não gosta dos jogos de padel “que duram três trocas de bolas” e deixou uma confissão: “Arrependo-me de não ter sido melhor parceiro, mas são coisas de carácter.” Sobre Bela, foi claro: “Bela é o melhor jogador deste desporto e não o é por que ganhou mais. É por que é o mais inteligente.”
A Hexagon Cup surgiu como o palco perfeito para Juan Martín Díaz ter uma homenagem à sua altura, depois de uma decisão tomada há vários meses, uma vez que a idade assim o obriga: “Tenho 48 anos e quando acordo já tudo me dói. Nunca joguei por dinheiro, nem pela glória de ganhar ou de ser o melhor, fiz porque é a minha paixão, o meu hobby, o meu desporto.”
Considerado uma das “lendas do padel”, JMD disse esperar que no futuro, apesar da evolução da modalidade, todos continuem com os “pés no chão”, mantendo “este desporto bonito” onde um adepto “pede uma foto e ainda há proximidade”. “Espero que não virem estrelas que passam por uma criança que pede alguma coisa e nem olham para ela, como acontece em outros desportos.”
Repetindo uma ideia já deixada no passado, o jogador nascido na Argentina voltou a dizer que não gosta do padel “que dura três trocas de bolas”: “Adoro aquele em que o jogo é construído e por isso nomeei jogadores como Chingo ou Di Nenno que, sem terem um smash terrível, são os craques deste desporto.”
Falando do que mais se arrepende na sua longa e vitoriosa carreira, Díaz disse ser “um insatisfeito por natureza, que mesmo ganhando tudo”, muitas vezes se sentiu “um pouco vazio”. Para além disso, lamentou não ter sido “um parceiro melhor”. “São coisas de caráter. Também não enlouqueci, nem insultei ninguém. Acho que hoje sou amigo de todos os meus ex-parceiros, mas podia ter aproveitado mais e até teria jogado mais tranquilo.”
A terminar, Juan Martín Díaz disse que gostava de ser recordado “como uma boa pessoa que procurava garantir a harmonia em todos os momentos, num jogo, no treino, no jantar com os jogadores”, e falou da sua relação com Fernando Belasteguín: “Muita gente sempre quis que houvesse uma guerra entre o Bela e eu. Mas eu sempre direi: Bela é o melhor jogador deste desporto e não o é por que ganhou mais. É por que é o mais inteligente. Se eu tivesse de voltar a escolher um parceiro, escolhia-o novamente”.
