Começou a jogar padel “a sério” no final de 2019, quando estava prestes a completar 22 anos, mas, há meia dúzia de meses, chegou a liderar o ranking da Federação Portuguesa de Padel. Com uma evolução incomum, fruto do “trabalho” e por se ter “atirado de cabeça” na aposta que fez no padel, Catarina Santos é uma das jogadoras portuguesas que mais se tem destacado nos circuitos internacionais, mas, nesta primeira parte de uma entrevista ao Padel 365, confessa que para lá chegar, teve de superar a desconfiança de quase todos: “Quando saí de Portugal, jogava nível 2 e nem sequer ganhava torneios… As que ganhavam, nem queriam jogar comigo”.
Como é que começou a sua ligação ao padel?
Em 2018, quando estava a estudar Engenharia na Faculdade e não conhecia ainda o padel, um amigo, que é um dos donos da Quad, o Tomás Mendes, ligou-me por que ia haver um torneio universitário na Galiza, e precisavam de raparigas para jogar. Ele sabia que eu tinha jogado ténis e convidou-me para ir. Não sabia o que era padel, mas acabei por ir.
Jogou ténis durante muito tempo?
Só joguei até aos 14 anos, mas treinei num grupo de competição com o Francisco Cabral. Era um grupo competitivo e deu para crescer.
Sem ter grande formação no ténis e começando tão tarde no padel, como explica a evolução tão rápida?
Atirei-me de cabeça. Depois do torneio na Galiza, tentei perceber se existiam grupos na Faculdade para fazer uns treinos. Percebi que havia um por semana e acabei por ir. Estava numa fase em que não estava a fazer o que queria e sempre gostei de desporto. Em Maio de 2019, comecei a treinar com o José Pires da Silva, no Top-padel, mas em Julho fui numa missão para África durante três meses. Foi aí que refleti e conclui que podia apostar no padel, que era uma modalidade que estava a crescer. Quando voltei a Portugal, comecei a treinar físico todos os dias e a ter aulas três vezes por semana.
Nessa altura surgiu a pandemia da covid. Isso deve ter dificultado ainda mais a evolução…
Durante a pandemia, mesmo estando fechada em casa, nunca deixei de treinar. Jogava em casa contra a parede. Mantive sempre uma rotina.
Foi um salto qualitativo grande e rápido…
É difícil explicar. Eu senti que era aquilo, mas ninguém acreditava em mim. Mas só quando fui para Espanha, confessei a alguém que gostava de ser jogadora profissional. Quando saí de Portugal, jogava nível 2 e nem sequer ganhava torneios… As que ganhavam, nem queriam jogar comigo. Eu não estava feliz com o que estava a fazer e adorei o padel desde o primeiro momento. Sentia que era fácil evoluir. Só tinha de ir treinar onde acreditassem em mim. Quando cheguei a Madrid, não fui para uma das maiores academias. Fui para uma pequena e tive muito apoio, o que foi fundamental para a minha progressão. Se tivesse ido para uma onde era apenas mais uma, provavelmente hoje já nem jogaria padel. Tive um trabalho muito personalizado desde o início.
Quando é que sentiu que podia dar o passo para o profissionalismo e para competir em torneios internacionais?
O meu treinador, primeiro disse para começar pela “madrileña” e ir vendo como corria. Tive um ano inteiro de formação completa. A aprender a fazer tudo, desde a pega até fazer uma direita ou esquerda. Só jogava torneios sociais básicos. No final de 2021, comecei a competir em Madrid e no ano passado comecei a competir em Portugal. A partir daí, ganhei confiança. No ano passado, consegui chegar ao número 1 da FPP e estive com a seleção nos Jogos Europeus, o que era um dos objetivos. Foi então que comecei a apostar em competir com as melhores e a disputar os FIP´s, a pensar no Premier Padel.
Essa aposta no circuito FIP é fundamental para a subida no ranking…
Subir acaba por ser uma consequência. Essas experiências fazem-nos crescer e é importante passar por essas etapas, para crescer no campo e ganhar nível.
Que objetivos tem para 2024?
Jogar no Premier, mas sei que na primeira metade do ano será complicado. Eu tenho 80 e tal pontos. No Milano Premier Padel, a última dupla a entrar tinha 600 e tal pontos e, por isso, às vezes é difícil quererem jogar comigo. Às vezes, as pessoas não escolhem pelo nível, mas pelos pontos. Se não for a pagar para jogarem comigo, vai ser difícil. Vou ter de me concentrar mais nos FIP’s para depois entrar no Premier por mérito.
Tem trocado muito de parceiras. Consolidar uma dupla em 2024 é uma prioridade?
O objetivo passa sempre por ser o mais fixo possível com alguém. A questão é que quem joga Premier, dedica-se a 100% a jogar padel. No circuito há muita gente que joga e treina de vez em quando. Não se encontra pessoas com muito compromisso, o que torna complicado formar duplas. Na Noruega correu bem com uma nova parceira [a norte-americana Brittany Dubins], mas treinei três dias à direita. Este ano tenho jogado sempre à esquerda, tirando quando fiz o torneio com a Noggy [Ana Catarina Nogueira] e um ou outro com a [Catarina] Vilela. Mas na Noruega correu bem e fizemos jogos bons, porque queremos o mesmo. Quando isso acontece, as coisas tornam-se claras e a luta é completamente diferente. Agora vou continuar com ela, a jogar à direita.
Isso significa que continua sem se fixar num dos lados…
O meu treinador sempre me disse que jogava bem dos dois lados, portanto, para não perder oportunidades… Se aparecer uma boa oportunidade, jogo à direita. Se aparecer à esquerda, jogo à esquerda…
Essas trocas não podem ser prejudiciais?
Não acredito nisso. Acho que é uma questão mental. Gosto e acho que tenho recursos para jogar dos dois lados.
